Você guiará ou será guiado?

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Este ano teremos nossa primeira eleição geral efetivamente digital. Com as novas resoluções aprovadas pelo TSE, a propaganda eleitoral nas mídias sociais está liberada, desde que contratada diretamente por um partido, coligação ou candidato.

Somos hoje pouco menos de 208 milhões e meio de ambientes, destes, cerca de 146 milhões são eleitores. Este público, por sua vez, está dividido da seguinte forma, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral:

Faixa Etária Quantidade
16 anos 260.308
17 anos 1.036.686
18 a 20 anos 8.024.653
21 a 24 anos 12.675.743
25 a 34 anos 31.496.351
35 a 44 anos 30.138.623
45 a 59 anos 35.465.899
60 a 69 anos 15.273.056
70 a 79 anos 7.830.653
Superior a 79 anos 4.264.975

Vamos fazer um pequeno exercício tácito, usando a tabela acima como referência. Consideremos que a faixa de 18 até 34 anos pode ser altamente influenciada pelas mídias sociais. A faixa de 35 a 44 anos é influenciada medianamente e a faixa de 45 a 79 anos é pouco influenciada (mãe, desculpa, você está fora da faixa dos influenciados).

Se somarmos estas faixas, temos 52 milhões de eleitores altamente influenciados e 30 milhões medianamente influenciados. Juntas, essas duas massas representam pouco mais de 56% do eleitorado do país.

A mais influenciada representa sozinha 35% do eleitorado. Só para relembrarmos os números, em 2014, Dilma Rousseff foi eleita com mais de 54 milhões de votos.

O que eu quero mostrar é que há um grupo de eleitores altamente influenciados pelas mídias sociais que pode, praticamente, eleger o presidente do país.

E o que isso implica? Empresas como a brasileira Stilingue e a inglesa Cambridge Analytica – que já desembarcou em nossas bandas e foi a responsável pela campanha de Trump nos EUA – estão a todo vapor, preparando o arsenal de algoritmos e dados para criar meios e formas de influenciar seu comportamento eleitoral.

Nos EUA, o Facebook foi acusado de ter favorecido a campanha de Trump. Só no Brasil eles contam com mais de 100 milhões de usuários, um pouco menos que a soma dos votos de Dilma e Aécio no segundo turno de 2014.

E vocês acham que esse arsenal todo consegue te influenciar? Há quem diga que determinadas notícias não afetam suas decisões, pois estão convictos de suas ideologias políticas, mas eu diria que não é exatamente assim que funciona o jogo.

Se você imagina que o principal meio de divulgação das campanha serão as redes, eu diria que não, você está enganado. Elas são, na verdade, a principal fonte de dados para se traçar o perfil do brasileiro. Já é sabido que o marketing político sempre trabalhou a classificação polarizada de direita e esquerda. Algo parecido com uma disputa entre o bem e o mal. E no final, um tem que prevalecer (cada um ache o seu bem e mal aí na história, não estou indicando nenhum). Mas me conte, fala aqui no meu ouvido quais são seus medos? Seus desejos? Seus anseios? Quais as vontades que você gostaria de realizar nos próximos quatro anos? Você tem medo de a economia piorar e perder o emprego? Ou você está sem emprego e tem medo de a economia piorar e sua vida tornar-se um mar revolto sem fim?

São essas informações que serão importantes para os algoritmos definirem mais perfis demográficos e o discurso ser direcionado especificamente para eles. Um dia na propaganda eleitoral da TV o candidato fará uma bela oratória para os que querem viajar para a Europa de férias, dizendo que a economia do seu governo será tão boa que você poderá voar de classe executiva pelo preço da econômica. Bingo, uma parcela foi atingida. Porém você, que mal consegue andar de ônibus em São Paulo, não se interessará por isso, mas no dia seguinte o discurso será para todos aqueles que no verão desejariam ter todos os ônibus com ar-condicionado. Bingo, agora nós dois prestamos atenção no discurso dele. Fomos de alguma forma fisgados, porque o assunto é do nosso interesse. Fala com nossos desejos e necessidades individuais.

Vamos ver um outro exemplo em que os algoritmos podem usar para impactar em determinados resultados. Mensagens diretas como “vote em fulano, ciclano ou beltrano” muitas e muitas vezes são ignoradas pelos usuários da rede, porque não querem tomar um lado na discussão ou porque elas são invasivas mesmo. Mas imagine que você recebe uma mensagem “isenta”, promovida por algum canal que parece ser apartidário. A mensagem pede apenas que você não esqueça o quão importante é votar, que o seu voto é a chave para mudar o país (e sim, isso é verdade, eu acredito nisso com toda a minha convicção política). Entretanto, esta campanha está sendo feita apenas para aqueles que são tendenciosos ao discurso do candidato A. Mentalmente você está sendo bombardeado a ir votar, enquanto o grupo do candidato B não recebeu nenhuma mensagem e a abstenção de votos poderá ser muito maior no seu eleitorado, simplesmente porque não foram atingidos por uma mensagem “isenta”.

Nas próximas eleições, a habilidade de falar que está em cada político será potencializada pela quantidade de informações trabalhadas pelos algoritmos. Volto ao tripé Consumo, Especialização e Personalização, agora na política. O eleitor passa a ser o alvo. Você como indivíduo é alvo de cada discurso dos nossos candidatos.

E nessa grande disputa nós nem entramos na seara das Fake News, falaremos disso mais a frente.

Dentro do contexto moderno e tecnológico, cabe a nós escolhermos baseado em evidências e estudos.

A SAS tem um slogan que me agrada muito: “A Inteligência é artificial, mas a estratégia é humana”.

Qual será a sua estratégia para analisar, comparar, compreender e escolher aquilo que será bom para o país? Algoritmos simulam o comportamento funcional do nosso cérebro, nós ainda temos a matriz operante, a filial cerebral está aí nas redes. Porém, nós precisamos, mais do que nunca, sermos criteriosos com escolhas e análises. O país depende da estratégia humana.

E ai, você guiará ou será guiado?

Grande Abraço!!!

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